quarta-feira, 13 de abril de 2011

Revolução no Egipto

Após 18 heróicos dias de gigantescas mobilizações de rua e greve geral, o povo derrubou o ditador Hosni Mubarak. A casa de governo e a sede do partido foram destruídas pelos manifestantes. Nem a brutal repressão da policia que matou mais de 300 pessoas nem os bate-paus armados pelo regime conseguiram deter a luta. A polícia perdeu o controle das ruas. Os militares confraternizaram com os manifestantes, que dançavam encima dos tanques.

Após 30 anos de ditadura, não existem líderes. O partido Irmandade Muçulmana, da oposição, é fraco e teve pouca participação na luta. Porém, nos bairros se formaram comitês populares, para proteger as casas da ação de delinqüentes alentados pela polícia. O movimento sindical está dominado por uma burocracia corrupta. Mas ao calor da luta foi criada a Federação de Sindicatos Independentes, que convocou greves dos estatais, estaleiros, têxteis, e surgiram organizações juvenis que impulsionam as mobilizações.
A queda do ditador foi um triunfo fantástico. Ao não haver alternativas de luta reconhecidas pelas massas, os militares estão momentaneamente encabeçando a “transição a democracia”. Mas eles logo chamaram os trabalhadores a acabar com as greves. Demonstra mais uma vez que as forças armadas que estiveram com Mubarak durante 30 anos, e recebem dos Estados Unidos 2 bilhões de dólares em armamento, nunca serão garantia de democracia. Por isso, o povo festeja nas ruas, mas continuam as greves e manifestações por salário e outras reivindicações.
De nossa parte, achamos que unicamente um governo dos sindicatos independentes, das organizações juvenis em luta, dos comitês populares, pode acabar totalmente com a ditadura, dar plenas liberdades democráticas, expropriar as multinacionais, dar salário e trabalho para todos. E dar armamento ao povo, junto à base do exército para defender a revolução, e realizar eleições livres para uma Assembleia Constituinte que reorganize o país em beneficio das maiorias populares.
Foi triste a postura do governo Dilma, que manteve relações diplomáticas com Mubarak até o último dia. E não foi por acaso: em 2003 Lula visitou Cairo e declarou: “ele é meu amigo”, (Mubarak) “é um líder preocupado com a justiça social do seu povo”. E com Gaddafi ainda não rompeu relações! Infelizmente não podemos esperar muito deste governo: para os ditadores elogios, para os deputados super salários, para o povo inflação e salário super-mínimo.